A página de uma vila parece simples: um nome, um mapa, comércios, uma agenda. Por trás, cada linha exigiu um saber preciso — e muitas vezes um erro que foi preciso ver antes que enganasse alguém.
Geografia — um lugar encontra-se pela posição, nunca pelo nome
« Casais » designa 16 lugares diferentes em Portugal. « Fontes » designa 8 em Portugal e 1 em França. « Porto » aparece em 6 países. Procurar um lugar pelo nome é trazer os homónimos: um evento de Fontès, no Hérault, chegou a ser anunciado « a 13 km » de uma aldeia portuguesa — realizava-se a mais de 1 300 km.
A regra que daí nasceu é simples: um lugar resolve-se pela posição (latitude, longitude), e a sua identidade é o caminho completo — país, região, concelho. O que continua ambíguo não é mostrado.
Probabilidades — o cálculo que desmonta os métodos « que nunca perdem »
A martingala — dobrar a aposta depois de cada perda — promete ganhar de certeza. O cálculo exato diz o contrário: numa mesa limitada a 500 €, um jogador com 1 000 € e um milionário perdem exatamente o mesmo, −94,63 € em média.
👉 O simulador de ruína, com os seus números
Estatística — provar que os nossos números não são inventados
Numa contagem real — populações, áreas, montantes —, o primeiro algarismo é um 1 em cerca de 30 % dos casos, e um 9 em menos de 5 %. É a lei de Benford. Números inventados à mão quase nunca a seguem. Passamos os nossos dados por este teste e publicamos o resultado.
👉 O teste de Benford, em direto (página em francês)
Audiência — 82 « visitantes » eram apenas um robô
Um dia, as nossas estatísticas mostraram mais 82 visitantes. Era um robô a percorrer o site. Desde então, só contamos como visitas as sessões com pelo menos duas ações: um robô que passa abre uma página, uma pessoa que lê abre outra.
Dados — uma ferramenta devolvia cada edifício duas vezes
Para o sobrevoo em 3D das vilas, extraímos os edifícios do OpenStreetMap. A ferramenta de extração devolvia cada superfície duas vezes: 43,5 % do edificado estava em duplicado. À vista, nada parecia errado — as duas cópias sobrepunham-se na perfeição. Foi o contador que o denunciou.
Bases de dados — uma pesquisa que passou de 11 milissegundos para 108 segundos
As nossas tabelas têm milhões de linhas. Para encontrar uma comuna ou um comércio num instante, a base usa um índice, como o de um livro. Uma única função aplicada no sítio errado — por exemplo, pôr um texto em minúsculas antes de o comparar — basta para o inutilizar: a mesma pesquisa passou de 11 milissegundos para 108 873.
Línguas — um texto colado esconde letras que não são as nossas
O « а » cirílico e o « a » latino são iguais à vista, mas não para um computador. Um nome de vila copiado de certos sites contém-nos: a pesquisa falha sem razão visível. O mesmo com os nomes locais: München e Munique, Warszawa e Varsóvia têm de levar ao mesmo sítio.
Pesquisa — encontrar « xadrez » mesmo mal escrito
A barra de pesquisa tolera erros: mede a distância, letra a letra, entre o que é escrito e cada rubrica. Mas tolerância a mais também engana: a palavra-chave « cha » (o chá) apanhava « château » e « chapelle » em francês, e dois nomes de vilas — 114 pesquisas desviadas antes de o vermos no registo. Uma palavra-chave curta tem agora de ser a palavra inteira.
Cartografia — um GPS que conhece a altura da sua autocaravana
O nosso GPS calcula os itinerários nos nossos próprios servidores, a partir dos dados abertos do OpenStreetMap. Tem em conta a altura e o peso do veículo, e apoia-se em 262 891 pontos úteis à viagem, extraídos e servidos por nós.
Design gráfico — o número de ouro, e porque o encontramos em todo o lado
Diz-se que o número de ouro se esconde no Pártenon, na Mona Lisa e nos logótipos famosos. Pondo seis pontos ao acaso em qualquer imagem, encontramos duas distâncias na razão 1,618 — a 2 % — em 94 % dos casos. Construímos a ferramenta que o mostra.
👉 O número de ouro: a ferramenta que mostra porque o vemos em todo o lado
Estratégia — um site muito grande é uma martingala?
Dobrar a aposta depois de cada fracasso é uma martingala; acrescentar rubricas pode tornar-se uma. O critério que faz a diferença: o que funciona sozinho e é medido é uma carteira, o resto é mais uma aposta.
👉 Um site muito grande é uma martingala?
Perguntas frequentes
Quem faz a OnBouge?
Uma pequena equipa independente, alojada em França, que constrói as suas próprias ferramentas — do GPS ao motor de pesquisa — em vez de depender dos gigantes da web.
Porquê contar os erros?
Porque mostram o trabalho real. Um dado certo não é um ponto de partida: é o que fica depois de encontrar e corrigir o que estava errado.
